quinta-feira, maio 10, 2007
domingo, abril 22, 2007
Aeroporto de Frankfurt
Imagine-se uma praça onde se erguem casas à sua volta. Numa manhã de sol, um par de namorados passeia-se ainda sonolento enquanto alguns saem para ir trabalhar... Isto podia bem ser no cenário fotografado em cima (1927). Note-se a imagem imediatamente abaixo, fruto da segunda grande guerra. Não me passeei muito tempo por Frankfurt, mas o suficiente para perceber que é uma cidade que entende o que é a reconstrução. Por isso escolhi os dois postais a preto e branco, um antes e outro depois dos bombardeamentos sofridos. Mesmo a casa de Goethe, que tive o prazer de visitar (ainda que só com "guias" em alemão), é uma reconstrução - isto poderia levantar-nos a questão da sua autenticidade, uma vez que pretende ser uma cópia do lugar, ainda que no mesmo sítio. Contudo, o que se poderia fazer? Nada? Isso teria sido o pior; à imagem de um humano, essa casa mantém a identidade e reconstrói-se face a um acontecimento trágico. Lembro-me agora do termo "Ground Zero" (usado para descrever o sítio da terra mais próximo de uma explosão) vulgarizado hoje pelos acontecimentos do 9/11. Que fazer no "Ground Zero"? Por exemplo os Japoneses deixaram os restos da camâra de comercio de Hiroshima numa manifestação do tipo "We will never forget"; os Americanos substituem o WTC pela Freedom Tower, talvez uma afirmação de liberdade. E em Frankfurt, reconstruiu-se.
Desta vez, o hotel onde fiquei era no aeroporto de Frankfurt. Ainda que pareça um pouco ironico, esta cidade constitui-se como ponto de encontro através dos céus - sabemos que este aeroporto é dos maiores da Europa e um importante hub. Para terminar, tenho a dizer que gostei de passear na Römer (onde ainda se podem ver vestigios Romanos), sob um ameno sol de tarde e à noite ao sabor de uma Weissbier, ver que a traça de 1927 se mantém.
sexta-feira, março 23, 2007
quinta-feira, janeiro 18, 2007
USA II
Ora bolas! Carrego nas imagens dos clips de Laurie Anderson e apesar de ir parar ao Youtube, tudo que obtenho é a mensagem "This video is no longer available due to a copyright claim by Viacom International Inc. ". Como sabemos, a Viacom, que detém por exemplo a MTV, lançou a Google, detentora do Youtube, para as barras dos tribunais onde pede uma indemnização de $1Bn por infringir direitos de distribuição/autor. A par desta discussão, questiona-se se a internet deve ser uma rede de circulação livre ou uma teia onde deve ser dada prioridade a determinado tipo de tráfego - as implicações podem ser a passagem de uma rede "livre" a uma rede com contornos comerciais onde os diferentes serviços se pagam com valor diferente - os norte-americanos embarcaram na discussão que chamam de network neutrality. Básicamente, é a continuidade da nossa modernidade, a reconstrução dos paradigmas e também as estratégias de sobrevivência empresariais...
Mas... onde se passa isto? Pois é, nos Estados Unidos, mas com eco mundial - o planeta liga-se por uma espinha dorsal e organiza-se em rede, lugar do virtual real. O tema introdutório remete-nos onde tudo começou, Stanford, na Californa, mais precisamente Palo Alto. Stanford tem na realidade sido uma universidade "mítica" e parideira de ideias que resultam em empresas imaginativas, note-se HP, Apple, e mais recentemente, Google. Um pouco a norte, São Francisco...
Quem não se lembra de ver nessas series da TV qualquer perseguição policial pelas ruas de São Francisco e ver os carros bater o chão das ruas perpendiculares? Pelos vistos é mesmo assim - que o diga eu, dentro de um taxi depois de uma noite de karaoke no Japan Center (J-Town). Mas não é só o Japão que tem uma comunidade grande em São Francisco, a Chinatown daqui é a maior no mundo fora da China - aqui podem comprar-se vários recuerdos da cidade, "Made in China", claro...
No fundo São Francisco desenha-se como um pano matizado de raças, ideias, arquitectura e sabores, cobrindo as suas (algumas íngremes) colinas. Ao lado da cidade, a falha (a de Santo André) teima em separar a California do território americano e oferecê-la ao Pacífico.
USA I
Sou em primeiro lugar Português, e depois Europeu...
Isto poderia levantar uma implicação, ser anti-Americano, pois qualquer bom Europeu é anti-Americano, assim temos vindo a observar. Não defendo, claro, Bush, mas a outra América, as outras Américas. Sim, existem várias Américas, desde a América representada por Bush, à América de Aldous Huxley, Woody Allen (que tem a simpatia de simpatizar com Europa), Laurie Anderson, e até mesmo Clinton que entendia, junto de Al Gore, a questão global. Tenho aqui a fazer uma nota sobre Laurie Anderson, que para além ensinar escultura é uma música invulgar, sendo artista nomeada para a NASA (sim, aquela agência das naves) - tenho obsessivamente feito posts com videos do Youtube que são deliciosos, é uma Americana. Mas é assim mesmo os Estados Unidos configuram um mosaico onde a dinâmica gera uma determinada profilaxia. Esta dinâmica faz-se notar a quem se passeie por exemplo por Washington, onde estive em Dezembro de 2006.
sábado, novembro 11, 2006
Ελλάδα
Voltar à Grécia pode ser sempre bom. Especialmente com tempo para vermos um bom museu e passear pachorrentamente pela Plaka Ateniense num Domingo à tarde depois de uma boa refeição mediterrânica. Não por azar (mas porque assim é) volto aqui na chegada do Inverno - gostaria de estar cá no Verão, e em boa companhia a degustar por exemplo um bom vinho de Creta à sombra destes caramanchões que tornam esta Plaka tão... apeladora...sábado, setembro 23, 2006
segunda-feira, agosto 28, 2006
"Faked in China"
Segundo as mais variadas mas concensuais teorias de análise de marketing/gestão, são sempre estas as perguntas que acabam por se colocar naquilo a que já estamos "enjoados" de chamar de case-study...
Mas que discurso economicista é este?
É mesmo isso, por mais que se fale na China, hoje "caímos" nisto, no discurso economicista.
Mas é necessário repôr o espaço-tempo, trata-se de Pequim (ou Beijing, dependente do meridiano...), e estamos em 2006, altura em que ainda se expõe em Tiananmen Mao Testung (ou ainda por questões meridionais, Mao Zidong).
Quem?
São milhões... milhões com uma auto-estima grande, um acordar milenário, desde a muralha à ínfima folha de chá... a China acorda, desde o operário fabril à mais fina flôr biotecnologica, uma incerteza... Se calhar é isso mesmo, a globalização talvez tenha sido o gatilho da incerteza, da oportunidade, da homogeneidade e ao mesmo tempo da diversidade. Em Pequim são muitos os que falam inglês; encontram-se também muitas estudantes que em desculpa de "querer praticar inglês falando", procuram um jantar grátis e uns "papalvos" para levar às compras em lojas onde tenham a "comissãozita". São também muitos os que se vêem por Tianamen e nao são de lá, os que se vêem nos hoteis e só passam por lá, e os que vagueiam na noite e não parecem de lá. Está toda a gente na China...
O quê?
Pequim pode mesmo ser pouco representativo do que realmente é a China, mas o efeito do pensamento de Confúcio está estampado nas superstores que são montadas "para ocidental comprar" - desde uma memória USB (várias marcas) a um Rolex tudo se pode encontar por lá, e advinhe-se, ao preço da China! (a questão do funcionar é outra aqui)... Quem vai à China deve experimentar (e de certeza que o faz) lá fazer negócio, e estou a falar dos negócios mais simples, do tipo comprar um casaco - o mais difícil é perceber qual é o preço "justo" para qualquer coisa (penso que demora dias a aprender a negociar). Uma vez entendido o "vocabulário", podem conseguir-se descontos de até 90%!
Porquê?
Como escreveu Brian Eno, em "China my China", "Your walls have enclosed you, have kept you at home for thousands of years", tal só poderia resultar numa explosão, e parece que a toda a força e velocidade...
domingo, julho 16, 2006
sexta-feira, julho 14, 2006
sexta-feira, junho 30, 2006
Lost in Translation
Listen to the girl
As she takes on half the world
Moving up and so alive
In her honey dripping beehive
Beehive
It's good, so good, it's so good
So good
Walking back to you
Is the hardest thing that
I can do
That I can do for you
For you
I'll be your plastic toy
I'll be your plastic toy
For you
Eating up the scum
Is the hardest thing for
Me to do
domingo, maio 14, 2006
quarta-feira, abril 26, 2006
Rollerblades e fracturas sociais
Bem, não era exactamente o propósito deste blog ser uma espécie de sítio de queixume, mas acho que também não corro esse risco. terça-feira, abril 11, 2006
terça-feira, abril 04, 2006
BBC - Beautiful British Columbia, é assim que lhe chamam...
A saída foi às 7h00 e tive de apanhar outro avião para o Canadá no aeroporto de Schiphol, Amsterdão. A viagem terá durado perto de dez horas; curiosamente saímos às 15h30 de Sábado e chegámos às 15h00 também de Sábado - os fusos horários têm destas coisas.
Aproveito para escrever agora já em Vancouver, Domingo 2 de Abril. Aqui são menos oito horas que em Portugal.
Na semana passada comprei um livro de George Steiner, "A ideia de Europa", edição portuguesa com prefácio de Durão Barrosso. Do prefácio não me apetece falar, mas foi com entusiasmo que li o livro todo durante a viagem (é certo que o livro não é muito grande e nem a viagem dura pouco tempo). E porque falo eu deste livro, estaremos nós a interrogar-nos. É simples, ontem e hoje vagueei um pouco pela cidade e tive um pouco da mesma sensação de quando tinha estado em Sydney - aqui temos uma cidade que deverá ter tido (e deve ter) algum sucesso económico mas ao andarmos pelas ruas durante uns minutos sentimos que para além do zum zum do dia-a-dia não paira no ar um clima mais quente, de proximidade, de contacto com o outro.
Ao que parece a properidade desta cidade advém do negócio da madeira começado pelos ingleses quando ainda era uma colónia britânica. Sabemos também que o Canadá é um país rico em recursos naturais, possuindo as maiores reservas de petroleo a seguir à Arabia Saudita e bastante prenhe em gás natural, sendo um grande exportador para os Estados Unidos. Mas voltando a Steiner, para além destas dádivas naturais que vemos aqui neste sítio do Canadá? Estive a ver as moedas e notas de dolar canadiano, tudo que vi foram clones da raínha de Inglaterra e na outra face, que temos? Temos ursos, folhas de plátanos e patos; na volta que dei pela cidade que monumetos vi eu? Estátuas de ursos, alces e a mais "humana" que vi foi um memorial ao soldados da primeira grande guerra - bem, é de um pouco disto que se trata, que legado (para além da questão petroleira e de gás) constrói esta gente? Não têm poetas, pensadores, políticos, monumentos?
Bem, posso estar a ser um pouco injusto porque não conheço muito do Canadá e até gosto muito de Anne Carson, poetiza Canadiana. E além disso, esta é só uma cidade de um país extenso - uma região com uma beleza natural espectacular, por isso também lhe chamam de "Beautiful British Columbia".
Mais uma vez, assim como em Sydney, vejo muitos asiáticos, e também mais uma vez, aqui a mistura de raças é algo que deve ser difícil para um país de origem Anglo-Saxonica. Fui ver um parque chamado "Capilano Suspension Bridge" que fica num sítio onde um Escocês começou a exploração de madeiras. O parque é um lugar bastante agradável, uma floresta punjante riscada por um rio que podemos atravessar por uma ponte de madeira, escarpa a escarpa. Numa dessas casas onde se vende todo o "merchandising" normanalmente associado a estes lugares, peguei num livro que se chamava "Pequena história de Vancouver" onde o autor faz menção à passagem a um português no início do século XX por estes lados. Pelo seu relato o português, de nome José, desenvolveu um negócio de venda de álcool na região. É curioso encontrar o reconhecimento da facilidade e envolvência que os portugueses desenvolvem com outras culturas; são do autor estas palavras: "it's amazing how he conquered the heart of the king's daughter". Penso que aqui está patente essa capacidade que outros têm alguma dificuldade em entender.
Mas nem tudo é desvantagem por aqui, senão vejamos alguns dados economico-demográficos - o Canadá tem uma extensão imensa, onde residem trinta milhões de pessoas (isso mesmo, só três vezes a população portuguesa), e tem uma grande riqueza em recursos naturais, o que lhes permite ter um nível de vida acima da média (eu sei, devemos estar a perguntar o que é isso de nível de vida). Neste contexto é um país que precisa de pessoas para o continuar a construir e manter, mas veja-se o que aconteceu recentemente com os emigrantes portugueses a trabalhar aqui. Certo é que a maioria deles estava em situação ilegal, mas daí até terem unicamente cinco dias para sair do país indica o que significa tolerância para estes lados. E aqui tiro o chapéu a Freitas do Amaral que tomou uma posição e decidiu vir até cá manifestá-la. Penso que os portugueses aqui serão uma minoria, mas na realidade não é razão para se agir como aconteceu. Aqui cito Freud, "é facil de entender porque é que uma pessoa rica seja tratada com distinção num banco, mas cá fora...". A questão do trato humano parece ser algo que estes países mais jovens ainda têm que trabalhar.
Se calhar ainda deverá estar para surgir aquele espaço ideal, um país com a mistura e capacidade de relacionamento como Portugal (e o Brasil), com as capacidades de gestão dos ingleses e a eficiência americana. Essa é que era!
Bem, e agora vou dormir...
sábado, março 18, 2006
O Português à Solta
Não é à toa que uso a palavra achamento; essa foi a palavra usada por Pero Vaz de Caminha na carta que escreveu ao rei D. Manuel para relatar a chegada da armada de Pedro Alvares de Cabral ao Brasil; não é também uma coincidência o sub-título do blog, palavras de Pessoa que tanto prezo; a questão da identidade, neste caso a língua Portuguesa que nos coloca como Portugueses para além deste território da Europa e nos convida ao Brasil, África e mesmo Ásia.
E é disso que se trata; ainda outro dia ao falar sobre estas coisas com o Filipe Fonseca ele me dizia "Não podemos viver a dizer que nós, Portugueses, fomos os maiores" - acho que não é disso que se trata, mas sim de olhar Portugal e a história Portuguesa como um propulsor do futuro e não como acho que actualmente se encara como "algo de grandioso que desabou sobre nós". E aqui haveria muito a dizer, podiamos falar por exemplo das manifestações messiânicas que por vezes por aqui surgem lembrando D. Sebastião, do espirito "desenrasca" que abomino e representa o português preguiçoso, etc. O Portugal de que vale a pena falar é o de Vieira, Pessoa, Camões, Pedro Nunes, só para citar uns poucos. É certo que a classe dirigente actual é uma espécie de "jet-trash" quer na política, quer na empresa - contudo, e felizmente, há excepções e há quem viva na diferença.
A ideia do "Português à Solta" veio de Agostinho da Silva, pensador Português que decidiu ir por esse mundo fora (à semelhança de vários Portugueses) e que em concreto foi "repousar" no Brasil onde ajudou a fundar Universidades e Institutos e que tinha a visão do Português como aquele que está destinado a encontrar a "Ilha dos amores" de que Camões fala. Essa dimensão que defende é-o para a actualidade. Olhemos para um Alemão (ou mesmo um Francês, semeador da obsessão anti-Americana), que quer ele? Ele é um seguidor de Aristoteles, um homem de produção, por oposição ao Português que encara a vida de uma forma poetico-prática.
Sendo assim, o que me proponho é o relato dos sítios por onde passo nessas duas dimensões, a do útil e a do agradável. Não deixo de citar essa bidimensionalidade expressa na carta de Vaz de Caminha:
"Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos.
Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!
Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!"
Aqui é necessário enfatizar que é necessário contextuar - o facto de se falar na cristianização apresenta o Português como defensor de um ideal. Aliás, Vaz de Caminha "aconselha" a humanidade ao invés do ouro e da prata, e apresenta a terra como sendo um lugar de fertilidade, quer humana quer agro. Opinião contrária é fácil de encontrar no Português invejoso e mesquinho (que terá algumas parecenças com o nacional-pacovismo potenciado pelo Dr. Oliveira Salazar).
É por isto fértil a memória e vivência Portuguesas, faltando por exemplo falar de Fernão de Magalhães que foi o primeiro humano que fez a circunavegação terrestre...
É por isso que amo o Português e estou apaixonado por um certo Portugal.










