quarta-feira, agosto 18, 2010

Canyons

Não é muito aconselhável viajar até Las Vegas sem anti-inflamatórios e relaxantes musculares, especialmente se quisermos ir até ao Grand Canyon, de carro, e tivermos uma hérnia discal... O resultado pode ser ficar imóvel numa sala de conferências com o ar condicionado gelido, ou... numa cama de hotel!

Contudo, é uma viagem pela "pré-história" Norte Americana, e ao nú de vários milhares de milhões de anos de história geológica da Terra.

Com visibilidade perfeita podemos aproximar-nos de Vegas e ver pela janela do avião um manto empoeirado e engelhado, de onde, só a cidade emerge; a saber o Deserto do Nevada. Não sei se por ironia, vegas significa várzea em espanhol...

Na verdade não gostei nada de Las Vegas... Não que me dedicasse muito a explorar a cidade, mas a Strip é mesmo só isto, uma Disneyland para adultos, réplicas patuscas de outros sítios/simbolos (Veneza, Egipto, Paris, etc) e um punhado de mexicanos que distribuem fotografias com o contacto de meninas. Depois, como é óbvio, o jogo, e o asfalto, radiador de Verão.

Por isso, o melhor mesmo é ir visitar o Grand Canyon ali mesmo ao lado, no Arizona. É um caminho moroso, umas quatro horas para cada lado. Ao passar a estrada 93 imagina-se a árdua travessia dos que foram para oeste, as temperaturas febris, salteadores de caravanas, coisas Hollywoodescas... Não foi acaso a escolha do Arizona como cenário de bastantes Westerns, que a alguns de nós serviram de aulas de história.

Finalmente o quadro é de cortar a respiração! E não tem moldura, estende-se a perder de vista... São camadas e camadas de resistos postos a descoberto pelo Colorado, que ainda teima a correr lá no fundo. É como se alguém tivesse escavado um sulco num "Mil-folhas" e agora pudessemos, camada a camada, deliciar-nos com o olhar... Dois ou três Índios, outrora donos deste território passeiam-se...

E é assim, tal como o Colorado rasga e põe a descoberto a memória geológica, nós registamos os nossos tempos e os tempos dos outros... A exatidão? Não sei, agora parece que falamos na "Aceleração da história"...

O fim do dia, em Las Vegas foi a jantar num qualquer restaurante Mexicano, atravessar o Casino do hotel com as suas "Poker faces", e finalmente dormir. Uns ibuprofenos e uma cama ajudaram-me a aguentar isto, e umas reuniões.

terça-feira, abril 20, 2010

Mare Nostrum

Quem atravessa a Eurasia e entra pela Indochina para chegar a Bangkok, arrisca-se a ter que na volta tomar caminhos mais por sul. Assim aconteceu na minha última ida à "A cidade dos anjos, a grande cidade, a cidade que é jóia eterna, a cidade inabalável do deus Indra, a grande capital do mundo ornada com nove preciosas gemas, a cidade feliz, Palácio Real enorme em abundância que se assemelha à morada celestial onde reina o deus reencarnado, uma cidade dada por Indra e construída por Vishnukam" (...)
Já tinha ouvido dizer que o bater de asas de uma borboleta nas Américas poderia provocar uma chuvada na Europa (...) mas como agora é sabido de todos, um vulcão na Islândia pode provocar um alvoroço nos aeroportos numa extensão bem maior.
Quando não se está num lugar e não conhecemos as pessoas e costumes desse lugar, as notícias que nos chegam dedicam-se a oferecer-nos à fantasia encenações daquilo que realmente se passa nesse mesmo lugar. Nesse palco imaginário, num ciclorama de fundo, passam imagens da TV e jornais, que ampliados e distorcidos fornecem material ao drama em cena. Falo, do que se passou (e possívelmente passa), em Bangkok. Os senhores das "camisas vermelhas", apoiantes do governante anterior, exigem que o primeiro ministro convoque o mais rápido possível novas eleições. Penso que se trata de uma forma de luta um pouco já antiga (e de traços equivalentes), que já em 2007 tive oportunidade de presenciar.
Para ser sincero, não gosto de Bangkok, não gosto do clima quente e húmido, não gosto das ruas com insectos rastejantes apressados entre as multidões, nem do lixo amontoado em frente às montras das lojas. Estes foram os motivos que desta vez me levaram a sair pouco do hotel, e ser mais espectador de relatos de encontros menos agradáveis dos meus colegas com manifestações, que, ao que se sabe ainda resultaram na perda de vidas.
O mais interessante e empolgante desta viagem foi, sem dúvida, a volta. Deslocava-me a caminho da porta de embarque do voo da Air France que me levaria a Paris, e daí a Lisboa, atento aos paineis electronicos, quando para meu desencanto vejo "AF173 Bangkok - Paris Cancelled". Foram dois dias de ponderação entre o ficar e o partir, entrelaçados por notícias vulcânicas menos optimistas e sonos e refeições desencontradas. Uns partiam, outros esperavam, outros choravam (...) Ao segundo dia à tarde, desenhou-se a rota: BKK-Qatar-Tunis. É engraçado, penso que só de ficar mais perto de Portugal, me sentia menos desamparado. Da Tunisia para Portugal não tinha conseguido reservar voo na internet. Ora essa, que importa? África, o sítio de onde todos viemos, era o único (e primordial) continente onde ainda não estivera. Mas finalmente o caminho ficou fechado, Bangkok-Qatar-Tunisia-Marrocos-Portugal, fechado à volta deste "Mare Nostrum"...

terça-feira, novembro 10, 2009

segunda-feira, outubro 05, 2009

terça-feira, junho 23, 2009

terça-feira, agosto 07, 2007

Bacondog

Começo por dizer que são duas nortenhas talentosas e duas grandes amigas.

Decidi ir com a minha filha Marta visitá-las ao Porto onde tinham montado estendal no agradável Parque da Cidade a expôr os seus muito bons trabalhos. Vale a pena passar por lá - para além delas, existem outras pessoas a vender artesanato urbano (mas, claro, o da "Bacondog" - é assim que se chamam em jeito de homenagem ao atrevido cão - distingue-se). A feira tem um blog que pode ser visto aqui. Quem quiser levar miúdos (eles gostam; e os graúdos também), existem vários workshops a fazer desde pintura, colagens, etc.

Sempre gostei do artesanato português, mas como alguém já tinha notado, dá um pouco a impressão que ele não se refinou, não seguiu em frente, por isso vale a pena passar no Parque, são coisas feitas por gente criativa e de mente aberta.

Seria uma vergonha não divulgar também o blog da Graça e da Mariana, que está estampado no fundo da figura ao lado – um mealheiro que a Marta ganhou. A visitar!

quarta-feira, junho 20, 2007

Bangkok


Tokyo

Tokyo continua a ser o lugar do inesquecível - as pessoas, a gastronomia, a dimensão, a sofisticação (...) Foi mesmo bom voltar lá!


quinta-feira, maio 10, 2007

domingo, abril 22, 2007

Aeroporto de Frankfurt

Imagine-se uma praça onde se erguem casas à sua volta. Numa manhã de sol, um par de namorados passeia-se ainda sonolento enquanto alguns saem para ir trabalhar... Isto podia bem ser no cenário fotografado em cima (1927). Note-se a imagem imediatamente abaixo, fruto da segunda grande guerra. Não me passeei muito tempo por Frankfurt, mas o suficiente para perceber que é uma cidade que entende o que é a reconstrução. Por isso escolhi os dois postais a preto e branco, um antes e outro depois dos bombardeamentos sofridos. Mesmo a casa de Goethe, que tive o prazer de visitar (ainda que só com "guias" em alemão), é uma reconstrução - isto poderia levantar-nos a questão da sua autenticidade, uma vez que pretende ser uma cópia do lugar, ainda que no mesmo sítio. Contudo, o que se poderia fazer? Nada? Isso teria sido o pior; à imagem de um humano, essa casa mantém a identidade e reconstrói-se face a um acontecimento trágico. Lembro-me agora do termo "Ground Zero" (usado para descrever o sítio da terra mais próximo de uma explosão) vulgarizado hoje pelos acontecimentos do 9/11. Que fazer no "Ground Zero"? Por exemplo os Japoneses deixaram os restos da camâra de comercio de Hiroshima numa manifestação do tipo "We will never forget"; os Americanos substituem o WTC pela Freedom Tower, talvez uma afirmação de liberdade. E em Frankfurt, reconstruiu-se.

Desta vez, o hotel onde fiquei era no aeroporto de Frankfurt. Ainda que pareça um pouco ironico, esta cidade constitui-se como ponto de encontro através dos céus - sabemos que este aeroporto é dos maiores da Europa e um importante hub. Para terminar, tenho a dizer que gostei de passear na Römer (onde ainda se podem ver vestigios Romanos), sob um ameno sol de tarde e à noite ao sabor de uma Weissbier, ver que a traça de 1927 se mantém.

sexta-feira, março 23, 2007

quinta-feira, janeiro 18, 2007

USA II

Ora bolas! Carrego nas imagens dos clips de Laurie Anderson e apesar de ir parar ao Youtube, tudo que obtenho é a mensagem "This video is no longer available due to a copyright claim by Viacom International Inc. ". Como sabemos, a Viacom, que detém por exemplo a MTV, lançou a Google, detentora do Youtube, para as barras dos tribunais onde pede uma indemnização de $1Bn por infringir direitos de distribuição/autor. A par desta discussão, questiona-se se a internet deve ser uma rede de circulação livre ou uma teia onde deve ser dada prioridade a determinado tipo de tráfego - as implicações podem ser a passagem de uma rede "livre" a uma rede com contornos comerciais onde os diferentes serviços se pagam com valor diferente - os norte-americanos embarcaram na discussão que chamam de network neutrality. Básicamente, é a continuidade da nossa modernidade, a reconstrução dos paradigmas e também as estratégias de sobrevivência empresariais...

Mas... onde se passa isto? Pois é, nos Estados Unidos, mas com eco mundial - o planeta liga-se por uma espinha dorsal e organiza-se em rede, lugar do virtual real. O tema introdutório remete-nos onde tudo começou, Stanford, na Californa, mais precisamente Palo Alto. Stanford tem na realidade sido uma universidade "mítica" e parideira de ideias que resultam em empresas imaginativas, note-se HP, Apple, e mais recentemente, Google. Um pouco a norte, São Francisco...

Quem não se lembra de ver nessas series da TV qualquer perseguição policial pelas ruas de São Francisco e ver os carros bater o chão das ruas perpendiculares? Pelos vistos é mesmo assim - que o diga eu, dentro de um taxi depois de uma noite de karaoke no Japan Center (J-Town). Mas não é só o Japão que tem uma comunidade grande em São Francisco, a Chinatown daqui é a maior no mundo fora da China - aqui podem comprar-se vários recuerdos da cidade, "Made in China", claro...

No fundo São Francisco desenha-se como um pano matizado de raças, ideias, arquitectura e sabores, cobrindo as suas (algumas íngremes) colinas. Ao lado da cidade, a falha (a de Santo André) teima em separar a California do território americano e oferecê-la ao Pacífico.

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USA I

United States of America (I)

Sou em primeiro lugar Português, e depois Europeu...
Isto poderia levantar uma implicação, ser anti-Americano, pois qualquer bom Europeu é anti-Americano, assim temos vindo a observar. Não defendo, claro, Bush, mas a outra América, as outras Américas. Sim, existem várias Américas, desde a América representada por Bush, à América de Aldous Huxley, Woody Allen (que tem a simpatia de simpatizar com Europa), Laurie Anderson, e até mesmo Clinton que entendia, junto de Al Gore, a questão global. Tenho aqui a fazer uma nota sobre Laurie Anderson, que para além ensinar escultura é uma música invulgar, sendo artista nomeada para a NASA (sim, aquela agência das naves) - tenho obsessivamente feito posts com videos do Youtube que são deliciosos, é uma Americana. Mas é assim mesmo os Estados Unidos configuram um mosaico onde a dinâmica gera uma determinada profilaxia. Esta dinâmica faz-se notar a quem se passeie por exemplo por Washington, onde estive em Dezembro de 2006.
Um francês diria, "mas eles nem ópera têm"... e disseram! Sim, é esta esquerda, relíquia Europeia, bem guardada e envernizada que é aclamada na Europa, maioritáriamente. Ser a nação mais poderosa do mundo tem os seus custos, não só financeiros mas também de opinião. Olhemos por momentos para França. Continua a ser uma potência Europeia, mas paga o preço do seu social-porreirismo... A sua obsessão anti-Americana é disparatada, assim como os seus efeitos no resto da Europa - existe uma engratidão enorme relativamente aos EUA... quem se atreve sempre a lutar com os seus exercitos? Já se esqueceram da segunda guerra mundial? No fundo a América é para a França um sucesso inaceitável...
Claro que a América tem coisas más, mas não terão todos os países?
Pessoalmente sinto-me confortável com os USA (ainda mais depois de Bush), pois sei que é um sítio onde a democracia mais tarde ou mais cedo acaba por fazer a denuncia do que está errado e com isso muda as coisas...
Só quero acrescentar que vi uma exposição fenomenal de Rembrandt na National Gallery of Art, Washington DC, onde pude apreciar um retrato de um físico Português do séc. XVIII. É giro pensar que já fomos um grande país... um questão de atitude!

sábado, novembro 11, 2006

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Ελλάδα

Voltar à Grécia pode ser sempre bom. Especialmente com tempo para vermos um bom museu e passear pachorrentamente pela Plaka Ateniense num Domingo à tarde depois de uma boa refeição mediterrânica. Não por azar (mas porque assim é) volto aqui na chegada do Inverno - gostaria de estar cá no Verão, e em boa companhia a degustar por exemplo um bom vinho de Creta à sombra destes caramanchões que tornam esta Plaka tão... apeladora...


sábado, setembro 23, 2006

segunda-feira, agosto 28, 2006

"Faked in China"

Who? What? Why?

Segundo as mais variadas mas concensuais teorias de análise de marketing/gestão, são sempre estas as perguntas que acabam por se colocar naquilo a que já estamos "enjoados" de chamar de case-study...
Mas que discurso economicista é este?
É mesmo isso, por mais que se fale na China, hoje "caímos" nisto, no discurso economicista.
Mas é necessário repôr o espaço-tempo, trata-se de Pequim (ou Beijing, dependente do meridiano...), e estamos em 2006, altura em que ainda se expõe em Tiananmen Mao Testung (ou ainda por questões meridionais, Mao Zidong).

Quem?
São milhões... milhões com uma auto-estima grande, um acordar milenário, desde a muralha à ínfima folha de chá... a China acorda, desde o operário fabril à mais fina flôr biotecnologica, uma incerteza... Se calhar é isso mesmo, a globalização talvez tenha sido o gatilho da incerteza, da oportunidade, da homogeneidade e ao mesmo tempo da diversidade. Em Pequim são muitos os que falam inglês; encontram-se também muitas estudantes que em desculpa de "querer praticar inglês falando", procuram um jantar grátis e uns "papalvos" para levar às compras em lojas onde tenham a "comissãozita". São também muitos os que se vêem por Tianamen e nao são de lá, os que se vêem nos hoteis e só passam por lá, e os que vagueiam na noite e não parecem de lá. Está toda a gente na China...

O quê?
Pequim pode mesmo ser pouco representativo do que realmente é a China, mas o efeito do pensamento de Confúcio está estampado nas superstores que são montadas "para ocidental comprar" - desde uma memória USB (várias marcas) a um Rolex tudo se pode encontar por lá, e advinhe-se, ao preço da China! (a questão do funcionar é outra aqui)... Quem vai à China deve experimentar (e de certeza que o faz) lá fazer negócio, e estou a falar dos negócios mais simples, do tipo comprar um casaco - o mais difícil é perceber qual é o preço "justo" para qualquer coisa (penso que demora dias a aprender a negociar). Uma vez entendido o "vocabulário", podem conseguir-se descontos de até 90%!
O centro de Pequim está a poucos quilometros de parques tecnologicos onde podemos encontrar empresas como a Microsoft e Google, assim como de algumas secções da Grande Muralha - isto gera um contraste interessante, pois o que outrora se erguia como um grande muro defensivo serve hoje de mirante e passeio a todos nós, e as vistas são muito bonitas, tenho a dizê-lo!
No centro, Pequim move-se, dilui-se, restaura-se, polui-se,..., as gruas desenham a cidade e adivinha-se um crescimento descomunal - a fuga do campo para a cidade (a das pessoas), e a evasão da cidade para o campo (a das máquinas).

Porquê?
É assim que funciona...
A entrada da China na OMC, a estagnação das indústrias nos países inflaccionados, o individamento dos EUA, e outros tantos, configuraram uma profilaxia a favor da China, e assim vai ser nos próximos tempos. A economia Chinesa cresce a dois dígitos - é hoje o sítio do mundo onde se realizam e desenvolvem negócios do tipo bilion-dollar, lá no país de sistema comunista-capitalista. Ou será capitalista-comunista? Parece um paradoxo, mas acho que este paradoxo existe porque ambos podem ter morrido, ou só ainda existem numa viragem de paradigma...
Porque o paradigma é este, é talvez o de o surgir de uma hiper-nação (não a China, mas outra meta-nacional) onde determinadas coisas acontecem em determinada altura porque assim se reuniram essas condições. E se calhar assim não é mau, pode ser que por exemplo África se torne num grande fornecedor de países como a China (e deixe de ser o cliente das ONGs Europeias e Norte Americanas que num marketing de bondade vão impedindo que as suas agriculturas super-protegidas deixem de fazer sentido).

Como escreveu Brian Eno, em "China my China", "Your walls have enclosed you, have kept you at home for thousands of years", tal só poderia resultar numa explosão, e parece que a toda a força e velocidade...

domingo, julho 16, 2006